
A depressão é uma doença psiquiátrica recorrente que produz alteração do humor marcada por tristeza profunda associada a sentimentos de dor, desesperança, baixa autoestima e culpa. Ela costuma acometer pacientes de todas as idades e os quadros variam de intensidade e duração, podendo ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves.
Além disso, ela é considerada o mal do século XXI. E isto é facilmente explicado: as maiores taxas de suícidio no mundo estão relacionadas à depressão.
Causas e transtornos da Depressão
Devido à oscilação hormonal, as mulheres costumam ser mais vulneráveis aos estados depressivos. Alguns dos principais fatores que funcionam como gatilho para as crises são: acontecimentos traumáticos na infância, estresse físico e psicológico, doenças sistêmicas, consumo de drogas lícitas e ilícitas e alguns tipos de medicamentos.
Deste modo, algumas formas de depressão são ligeiramente diferentes umas das outras, e podem desenvolver-se sob circunstâncias únicas.
Dentre as mais conhecidas formas, temos:
Depressão pós parto
As mulheres, muitas vezes, experimentam depressão durante a gravidez ou após o parto. Entre os sentimentos mais comuns podemos citar a tristeza, ansiedade e exaustão. Isso deve-se às alterações hormonais sofridas durante a gravidez, que agora, estão voltando ao normal.
Depressão psicótica
Este tipo de depressão ocorre, quando, de alguma forma, a depressão se desenvolve junto com um quadro de psicose. Entre as situações mais comuns estão a falsa crença e a perturbadora (delírio), ouvir e ver coisas que outras pessoas não conseguem ouvir nem ver (alucinações).
Em suma, ela é bastante rara, e pode ser confundida com esquizofrenia.
Transtorno afetivo sazonal
Ela costuma ser conhecida como depressão de inverno. E por incrível que pareça, é caracterizada por um quadro de tristeza prolongada durante os meses de inverno, quando justamente, há pouca luz solar natural.
Na maioria das vezes, ainda vem acompanhada de aumento do sono e extremo ganho de peso.
Transtorno depressivo persistente
Também conhecido como distimia, caracteriza-se por um humor deprimido, que dura cerca de 2 anos. Ao longo do tempo, uma pessoa diagnosticada com transtorno depressivo persistente pode ter episódios das fases mais agressivas da doença, como a depressão maior.
Depressão maior (unipolar)
Pacientes ficam incapazes de sentir as emoções habituais e sentem que o mundo se tornou sem cor, sem vida. Alguns pacientes negligenciam a higiene pessoal ou mesmo dos seus filhos, entes queridos e animais de estimação.
Fora estes, os sintomas mais comuns incluem-se fadiga, perda de energia, sentimento de inutilidade, perda de apetite e pensamento recorrentes de morte ou suicídio.
Por fim, conhecendo suas principais variantes, vamos entender quais seus principais sintomas.
Sintomas da Depressão
Os principais sintomas da depressão são o estado deprimido e a perda de interesse nas atividades cotidianas. Outros sintomas característicos da doença incluem:
- Alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional);
- Distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva);
- Problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora);
- Fadiga ou perda de energia constante;
- Culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade);
- Dificuldade de concentração;
- Ideias suicidas;
- Baixa autoestima,
- Alteração da libido.
- Irritabilidade;
- Diminuição da energia.
Antes de mais nada, vale salientar, que a pessoa com depressão não necessariamente precisa apresentar todos os sintomas acima para estar deprimido. Porque algumas pessoas experimentam apenas alguns, e outros, muitos. É interessante prestar atenção naqueles persistentes.
Lembrando ainda que os sintomas podem variar também, dependendo do estágio em que a doença se encontra. Ou seja, em fases iniciais, os sintomas tendem a ser mais brandos e evoluem para um quadro maior conforme a situação se agrava.
Entre outras coisas, é interessante salientar a questão dos fatores de risco para o desenvolvimento de um quadro depressivo.
Fatores de risco para a depressão
Entre os fatores de risco principais, podemos citar:
- Histórico pessoal ou familiar de depressão;
- Mudanças importantes na vida;
- traumas;
- stress acumulado;
- Uso de medicamentos controlados;
- certas doenças físicas.
Muitas vezes, os medicamentos tomados para controle da depressão, acabam contribuindo para casos ainda mais graves da doença. Por isso, a importância de um profissional qualificado e experiente para tratar do problema é de extrema importância.
Frente a isso, podemos abrir um tópico apenas para os medicamentos antidepressivos.
Medicamento antidepressivos
Em suma, a principal função dos medicamentos antidepressivos é melhorar a maneira como seu cérebro usa certas substâncias químicas que controlam seu humor e estresse.
Analogamente, este tipo de remédio leva tempo (geralmente 2 a 4 semanas) para começar a apresentar efeitos. Em geral, sintomas como sono, apetite e problemas de concentração melhoram primeiro. Depois, vem o resto.
Assim, é importante dar sempre um tempo ao paciente e ao tratamento para comprovar sua eficácia.
Um fato que costuma acontecer é o interrompimento da medicação por parte do paciente. Ele se sente melhor e para. Contudo, o quadro de depressão volta. Por este fato, se você está se tratando da doença, nunca pare de tomar por conta própria. Espere a confirmação do seu médico!
Mas afinal, como funciona o medicamento antidepressivo? Sabemos que o mesmo age em algumas regiões do cérebro? Mas quais são?
Como funciona um antidepressivo?
Os antidepressivos são medicamentos ou drogas que agem no sistema nervoso, cuja função é normalizar o fluxo de neurotransmissores, que são moléculas responsáveis pelo impulso de um neurônio para o outro. Os neurotransmissores mais importantes são: serotonina, noradrenalina, dopamina, glutamato, acetilcolina e gaba.
Assim, em pessoas com depressão, a disponibilidade desses neurotransmissores no cérebro é baixa. Os remédios vem justamente agir aumentando a disponibilidade de um ou vários desses neurotransmissores de maneiras diferentes e distintas.
Atividades simples que podem ajudar
Por fim, listamos atividades simples do dia a dia que contribuem para a melhora de um quadro depressivo. São basicamente dicas que podem ajudar você ou um ente querido durante algum tratamento. São elas:
- Entenda sempre como funciona a depressão. Conheça, pesquise e tente agir de forma a combatê-la;
- Espere seu humor melhorar gradativamente, não imediatamente;
- Não se isole! Sei que é difícil, mas você precisa de outros nessa fase!
Se você está passando por isso ou conhece alguém, agende já uma consulta com a Dra. Olívia Pozzolo.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dra. Olivia Pozzolo Psiquiatra especialista em transtornos mentaisFormada pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) e com residência em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina do ABC - FMABC.
Registro CRM-SP nº 186706.